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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dia a dia...

Estou por aqui conversando com minha mãe sobre educação. Ela nasceu em Campina do Monte Alegre, Estado de São Paulo. Naquela época ainda era sub-distrito de Angatuba.

Minha avó era analfabeta e meu avô músico auto-didata.

Entretanto a educação tinha uma outra conotação...

Minha mãe foi morar em Tatuí aos dois anos em Vila Esperança.  Aos cinco anos ingressou em uma escolinha e aos seis entrou na escola Modelo anexo ao Instituto de Educação Barão de Suruí e seguiu a educação no próprio Barão de Suruí até a terceira série ginasial. (Algo como o 8o. ano do fundamental)

No ginásio, ela aprendeu sobre assuntos que hoje não são abordados nas escolas tradicionais. Música, latim e francês.

Até hoje ela se lembra das declinações dos verbos em latim!

Hoje vemos que a educação decaiu imensamente. Os alunos chegam à faculdade escrevendo você com dois esses ou com cê cedilha. Não sei qual é o pior.

Muitas vezes a educação vem de escolas de renome... Isso sim é triste...

Janaina

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Dilema da Educação

Esse texto não será escrito segundo as normas ABNT. Não será redigido respeitando-se os preceitos acadêmicos. Esse texto será escrito segundo o coração de um professor.

O ensino, cada vez mais, vem tornando-se um negócio rentável. Rentável não para os professores, mas rentável do ponto de vista da mantenedora, que a cada dia vem inserindo mais e mais alunos para dentro da universidade sem a preocupação de este indivíduo estar apto a freqüentar um assento regular, ou não. Desta forma, os vestibulares estão a cada vez mais, tornando-se um processo ilustrativo, onde o candidato simplesmente paga uma taxa e é admitido.



De um lado, muitos dirão que a oportunidade está sendo abrangente, pois mais pessoas têm acesso à faculdade. Isso seria uma verdade absoluta se houvesse uma equalização desse aluno ao que é requerido para a graduação. Mas o que ocorre é exatamente o contrário.



Além deste aluno não ter um diapasão que o nivele para freqüentar as aulas, muitas vezes, o professor não pode aplicar o rigor da caneta, pois do contrário não haverá alunos para o próximo semestre. E isso acaba tornando-se uma bola de neve.



Como o negócio acadêmico tem que seguir seu curso, esse aluno, que não está preparado para encarar os desafios da universidade ganha o status de cliente. Agora a derradeira vem com toda a força, pois esse indivíduo, que está pagando por volta dos R$ 129,00 por mês, não está interessado em progredir, sendo que seu único interesse é a obtenção do diploma. Esse aluno tem agora nas mãos a possibilidade de avaliar seus professores.



Veja a dicotomia do assunto: mais ainda, o professor não pode exercer sua função. Sob a pena de ser demitido por ensinar, por cobrar melhoras, por exigir o melhor de seu aluno...



Além desse problema, a business faculty, vem buscando cada vez mais um retorno absurdo em seu investimento, e para isso, muitas vezes, demite o professor-mestre, ou professor-doutor, para contratar professores mais baratos. Ilustrarei o fato: o professor-mestre custa R$ 28,00 a hora-aula. O professor-especialista (que muitas vezes, nem sequer possue especialização), é contratado por R$ 10,00 a hora-aula. Ou seja, quanto mais o professor se prepara, se alimenta do saber, para poder transmitir ao aluno o melhor, corre o risco de perder seu posto para outro professor que se dispõe a ganhar menos. E como cobrar excelência desta forma? Ainda correndo o risco de ser demitido pela avaliação realizada pelo aluno?



Esses pontos fazem com que o professor beire a loucura, não é mesmo?

domingo, 5 de setembro de 2010

Expectativa do Professor quanto a inteligência do Aluno

Ao se falar em educação, um dos problemas elencados é a expectativa do professor quanto a inteligência do aluno, tema abordado nesse estudo. Esse ponto pode ajudar ou definir o aproveitamento do aluno, pois quando o professor espera um grande desempenho de seu aluno, se engaja para que este aprenda e o motiva a isso. Já quando o subestima, faz com que a desmotivação seja o ponto culminante para que este aluno desinteresse-se podendo chegar ao ponto de abandonar o curso. Tanto em ambientes presenciais como os virtuais, o sucesso do ensino dependerá da motivação tanto do professor, quanto do aluno e expectativa pode ser um grande começo.

Existe um mito muito conhecido de um hábil escultor chamado Pigmaleão que desiludido pelas mulheres foi viver só. Para conseguir suportar a solidão esculpiu uma mulher segundo seus devaneios de beleza e de tanto cuidado na elaboração dessa obra-prima, apaixona-se pela própria obra e a nomeia de Galatéia. Apaixonado implora à deusa Afrodite que faça com que conheça uma moça como aquela e foi concedido que a obra em pedra torne-se mulher de carne e osso, casa-se com ela e tem um filho.

A psicologia se apropriou dessa mitologia e denominou de efeito Pigmaleão àquele que se apaixona pelo objeto de desejo que construiu. O psicanalista Contardo Calligaris utilizou esse mito no âmbito escolar salientando "Quando os professores esperam um grande progresso de seus alunos, eles progridem duas vezes mais rapidamente. O desempenho do aluno é proporcional às expectativas do professor".

Diante disso, pode ser estarrecedor pensar que é possível mudar as atitudes, valores e conhecimento dos alunos para melhor, a partir da expectativa do professor.

De acordo com Silva (1992) no texto Mal formado ou Mal informado, tanto o médico como o professor podem matar. O primeiro mata seu paciente, o segundo mata a mente de seu aluno.

Ao se considerar que a expectativa do professor pode matar ou eliminar o hiato cultural existente entre professor-aluno, o primeiro passo é fazer com que este tenha consciência do efeito “pigmaleão”. É preciso incitá-lo a envolver-se profissionalmente, evitando obviamente ultrapassar o limite para não desvirtuar o aprendizado.

O psicólogo José Ernesto Bologna , especializado em desenvolvimento aplicado à educação, diz que o professor precisa desejar que o aluno tenha além do conhecimento. Abaixo se observa parte de sua entrevista:

O verdadeiro ganho é a autoconfiança cognitiva do aluno, ou seja, a consolidação da sua autoestima intelectual como um aprendiz competente e capaz. Essa consolidação não é apenas intelectual, mas também socioafetiva. Todos nós já sentimos a deliciosa emoção que se manifesta na relação [entre aluno-professor]: Eu estou sentindo o poder e a beleza de compreender, e meu mestre está satisfeito comigo, olhando-me com olhos de admiração. (BOLOGNA, J.E. O poder do Olhar. São Paulo: Revista [eletrônica] Educação – Edição 149. Entrevista concedida a Rachel Bonino)

Via de regra, quando o desempenho escolar é deficiente, assume-se que o problema foi gerado pelo aluno, contudo a relação se dá através do professor. Ele é o motivador na relação professor-aluno. Para Freire (2000), o professor pode utilizar-se das falas diretas e indiretas, ou seja, é um grande influenciador e tem que assumir seu papel social, buscando aproveitar o melhor da relação professor-aprendiz.

Claro que existem outras variáveis que interferem na motivação do professor à experimentação da “expectativa”, como falta de investimento na capacitação, os recursos deficientes para a pesquisa, os custos das universidades que ávidas por inserir grande quantidade de alunos deixam a qualidade em segundo plano. Isso tudo pode levar o professor a não estabelecer raízes à instituição nem tampouco aos alunos.

A autora deste trabalho tem um histórico interessante que ocorreu na quarta-série do ensino fundamental. Apesar de boa aluna, na hora da prova de matemática tinha “brancos”. Qualquer professor poderia entender que o problema do mau desempenho era uma problemática isolada da aluna, contudo aquela professora comportou-se de maneira diferenciada. Passou a incitar o conhecimento através da “expectativa”. Acreditou que o aluno, mesmo com todas as adversidades poderia se superar. A motivação, o incentivo, a determinação fizeram com que o aprendizado prevalecesse.

Demo (2000) expõe que é fundamental aprender a conviver com os limites buscando transformá-los em desafio, desta forma, precisamos aprender a ultrapassar as barreiras citadas acima, buscando valorizar o aluno e experimentar crer que eles podem nos dar mais do que esperamos e essa mudança deve partir dos professores.

Desta forma, espera-se que as dificuldades no ensino-aprendizagem sejam minimizadas através da expectativa pela inteligência do aluno por parte do professor.


A educação mundial está passando por mudanças e principalmente agora com o advento do ensino a distancia, a preocupação aumenta, pois o ensino vai além das quatro paredes e isso faz com que muitos conceitos tornem-se muito mais subjetivos. Quando pensamos no aprendizado propriamente dito, não podemos deixar de lado a expectativa do professor quanto a inteligência do aluno, pois pode ser um fator preponderante na aproximação professor-aluno e conseqüentemente no aprendizado.

É possivel perceber com esse trabalho que o maior motivador para essa nova postura é o próprio professor que poderá utilizar-se dessa ferramenta para motivar seu aluno a evoluir fazendo com que a relação professor-aluno torne-se muito mais gratificante.
(Janaina Macedo Calvo)
Referências bibliográficas



DEMO, Pedro. Introdução. In: ______. Conhecer e aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre: ArtMed, 2000. p. 9-12.

FREIRE, Flavio. A interação professor-aluno e suas implicações pedagógica. Unopar Cient., Ciênc. Hum. Educ., Londrina, v. 1, n. 1, p. 115-121, jun. 2000. Disponivel em:

http://unopar.br/portugues/revista_cientificah/art_orig_pg115/body_art_orig_pg115.html . Acesso em 20 de novembro de 2009

SILVA, Ezequiel Theodoro da. Mal-formado ou mal-informado. In:_____. Os (des)caminhos da escola: traumatismos educacionais. 4ed. São Paulo: Cortez, 1992, p. 23-27.

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12766 – Acesso em 20 de novembro de 2009